Francisco Cunha, bombeiro que sobreviveu ao incêndio que vitimou a sua noiva e o cunhado em Vila Nova de Oliveirinha, Tábua, acusa o Governo de falta de apoio psicológico para os envolvidos na tragédia. Em entrevista ao programa Júlia, da SIC, Francisco lamentou que, passados seis meses do incêndio, nem ele nem as famílias das vítimas mortais tenham acompanhamento.
“Apoio psicológico houve… ao início. Mas hoje, se eu quiser ter, tenho de ir à procura”, desabafou. O bombeiro afirmou que, desde então, nunca mais recebeu qualquer contacto das entidades oficiais. “Nunca mais me ligaram: ‘Francisco, estás bem? Precisas de alguma coisa?'”, criticou, sublinhando que também ele enfrentou a morte e sofreu traumas severos.
Para Francisco, a falta de um plano de apoio a longo prazo é uma falha grave. “O Governo tem de pensar, tem de criar equipas para o pós. Não é só para o início. No início há muita ajuda […]. Mas com o passar do tempo, não há”, reforçou.
Visivelmente emocionado, o bombeiro descreveu as recordações que ainda o assombram diariamente. “O mar de chamas, o cheiro, os eucaliptos, o fumo… Tudo o que vivi vem-me muito à memória. Nunca me vou esquecer”, confessou.
A tragédia, ocorrida em setembro passado, resultou na morte de três bombeiros, incluindo a noiva e o cunhado de Francisco, bem como de cinco militares da GNR. Para o sobrevivente, “somos humanos, precisamos de ajuda”, e considera que as famílias das vítimas continuam esquecidas pelo Estado.