REGIÃO CENTRO: O NOVO ARCO INDUSTRIAL QUE IMPULSIONA O PAÍS

PME Excelência 2024 revelam um território que produz, exporta e lidera**

No coração da Região Centro, seis concelhos interligados por história, indústria e logística — Águeda, Anadia, Oliveira do Bairro, Mealhada, Vagos e Cantanhede — afirmam-se hoje como um dos mais poderosos ecossistemas económicos do país. A publicação da lista PME Excelência 2024, pelo IAPMEI, volta a confirmar que este território, longe da área metropolitana de Lisboa e fora dos grandes centros urbanos, tem vindo a consolidar um modelo de desenvolvimento assente na produtividade, na inovação, na qualificação e, sobretudo, na resiliência.

Num ano marcado por incerteza económica, pressões inflacionistas, energia mais cara e cadeias logísticas instáveis, estas empresas demonstraram não apenas capacidade de sobrevivência, mas crescimento, solidez financeira e gestão de excelência. O resultado é expressivo: 82 empresas desta sub-região foram distinguidas com o estatuto PME Excelência.

Mais do que números, esta distinção desenha um mapa económico que explica parte importante do dinamismo industrial do país.


1. Águeda: o motor industrial que nunca abranda (34 empresas)

Águeda mantém, de forma isolada, uma das maiores concentrações de PME Excelência do país.
Com 34 empresas distinguidas, o concelho volta a demonstrar a força de um cluster industrial que integra:

  • metalurgia e metalomecânica de alta precisão,
  • iluminação técnica e decorativa,
  • moldes e componentes industriais,
  • química especializada,
  • mobiliário técnico,
  • engenharia e automação,
  • logística e distribuição,
  • restauração e comércio especializado.

Durante décadas, Águeda construiu um modelo económico assente na produção real, na exportação e na diversificação. A coexistência de empresas familiares centenárias com novas empresas tecnológicas cria uma estrutura económica rara, onde a inovação não é episódica, mas estrutural.

O estatuto PME Excelência confirma que o concelho continua a liderar a indústria do Centro, com empresas que mantêm investimentos em robótica, CNC, engenharia, automação e transição energética.


2. Anadia: equilíbrio entre indústria e agroalimentar (9 empresas)

Com nove empresas distinguidas, Anadia revela a força económica de setores complementares:

  • metalomecânica,
  • panificação e alimentação,
  • restauração organizada,
  • vitivinicultura,
  • logística e distribuição.

A presença da Caves Arcos do Rei demonstra que o setor vinícola da Bairrada continua a ter expressão e solidez.
A par disso, empresas como Mavicer, Cobel e Diligentreasure confirmam o peso da indústria transformadora no concelho, enquanto o setor alimentar, através das padarias e pastelarias, mantém relevância social e económica.

Anadia combina tradição e indústria, e isso traduz-se numa economia estável, multifacetada e com forte carácter local.


3. Oliveira do Bairro: o eixo da indústria técnica e da inovação aplicada (13 empresas)

Oliveira do Bairro continua a afirmar-se como território industrial competitivo, somando 13 empresas PME Excelência.
A lista inclui setores de elevado valor acrescentado:

  • fabricação de moldes e componentes (Cunhimolde, Dagoform),
  • manutenção para grandes indústrias (LTP, Latap),
  • cerâmica técnica (Topcer),
  • eletrónica e engenharia (Diferencial),
  • soluções industriais e tecnológicas (Matechnics),
  • indústria alimentar (Rialto),
  • serralharia avançada (Alubairro).

O concelho destaca-se pela combinação entre empresas tradicionais da metalurgia e nova geração de empresas ligadas à automação, manutenção especializada e serviços industriais de alta complexidade.

Trata-se de um território altamente integrado nas cadeias automóvel, cerâmica, engenharia e construção, com forte capacidade exportadora.


4. Mealhada: um concelho pequeno com empresas de grande solidez (7 empresas)

A Mealhada surge com sete empresas distinguidas, um número expressivo tendo em conta a dimensão do concelho.
Os setores representados incluem:

  • agroalimentar,
  • comércio especializado,
  • serviços,
  • indústria ligeira,
  • logística.

O destaque vai para empresas que, apesar da escala limitada, demonstram solidez financeira e capacidade de gestão acima da média, contribuindo para a economia regional com estabilidade e visão estratégica.

A Mealhada, tradicionalmente associada ao turismo e gastronomia, revela aqui uma faceta menos visível: a existência de empresas resilientes, discretas, mas altamente consistentes.


5. Vagos: a afirmação de um concelho industrial em plena expansão (12 empresas)

Vagos confirma o crescimento económico dos últimos anos com 12 empresas PME Excelência, evidenciando um tecido industrial diversificado onde se destacam:

  • metalomecânica e estruturas,
  • maquinaria industrial,
  • agroindústria,
  • logística e transportes,
  • energia e instalações técnicas,
  • construção e serviços de engenharia.

Este concelho tem vindo a consolidar a sua posição como polo industrial emergente, beneficiando da proximidade à A17, de disponibilidade de solo industrial e de um ambiente empresarial favorável ao investimento.

As empresas distinguidas mostram um território em evolução, com crescente aposta em tecnologia e especialização produtiva.


6. Cantanhede: entre indústria, extração mineral e serviços técnicos (7 empresas)

Com sete empresas distinguidas, Cantanhede apresenta uma economia bastante diversificada:

  • extração de calcário e transformação de pedra (Arocal),
  • indústria farmacêutica e retalho especializado (Farmácia Secades),
  • maquinaria industrial (Iberconcept),
  • carpintaria técnica (Isidro Pessoa),
  • instalações elétricas (Luminescências),
  • logística e transportes (Marvãomáquinas),
  • restauração (Restaurante Panorama).

Esta multiplicidade de setores confirma a versatilidade económica do concelho, com presença equilibrada entre indústria, comércio e serviços especializados.


UM NOVO MAPA ECONÓMICO DO CENTRO

A leitura conjunta destes seis concelhos revela uma realidade que, muitas vezes, passa despercebida nos grandes discursos económicos nacionais:
a força da indústria e dos serviços produtivos está, cada vez mais, concentrada em territórios intermédios, com forte identidade, mão de obra qualificada e tradição manufatureira.

Três conclusões emergem deste bloco territorial:

  1. Há uma cultura industrial profundamente enraizada
    Desde Águeda a Oliveira do Bairro, passando por Vagos e Cantanhede, existe uma cadeia de empresas que mantêm conhecimento acumulado ao longo de gerações.
  2. A diversificação é a chave da resiliência
    Nenhum concelho depende de um único setor. Todos combinam indústria, comércio, serviços técnicos, logística e agroalimentar.
  3. A capacidade exportadora é real e crescente
    Grande parte destas empresas integra cadeias internacionais de fornecimento, especialmente nos setores da metalurgia, moldes, cerâmica, iluminação e maquinaria.

UM TERRITÓRIO PREPARADO PARA O FUTURO

Esta sub-região apresenta todas as condições para continuar a crescer:

  • empresas capitalizadas,
  • forte investimento em tecnologia,
  • mão de obra especializada,
  • competitividade exportadora,
  • diversidade setorial,
  • capacidade de inovação.

O conjunto das 82 PME Excelência 2024 destes seis concelhos constitui não apenas um indicador de sucesso económico individual, mas a expressão de uma economia territorial coesa, sofisticada e estrategicamente posicionada para enfrentar os desafios de competitividade da próxima década.

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