Presépio em Albergaria-a-Velha atrai milhares de visitantes e afirma-se como referência cultural do Natal

O Presépio exposto na sede da Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha e Valmaior voltou, este ano, a afirmar-se como um dos grandes polos de atração do período natalício no concelho, reunindo milhares de visitantes e destacando-se pela sua dimensão, detalhe e forte ligação à memória coletiva da região.

Da autoria de Fausto Oliveira, o presépio é o resultado de cerca de 80 a 90 horas de trabalho, desenvolvidas entre meados de novembro e 13 de dezembro, com o apoio de familiares. “Aqui estivemos eu e mais três pessoas, principalmente uma filha e o companheiro. Foram cerca de 80 a 90 horas de trabalho”, explicou o autor, estimando que o conjunto integre atualmente “cerca de mil figuras”.

Mais do que uma representação tradicional do nascimento de Jesus, o presépio assume-se como uma verdadeira narrativa visual da região. “Deve ser visto como uma fotografia de uma determinada época e das coisas de que me vou lembrando da infância”, afirmou Fausto Oliveira, sublinhando que o cenário percorre simbolicamente “um corte transversal desde a serra até ao mar”, inspirado nas vivências da região de Aveiro e de Albergaria-a-Velha.

A ligação ao presépio remonta à infância do autor, às memórias da escola primária e às tradições familiares, recuperadas de forma mais intensa a partir de 1988, aquando do nascimento da sua primeira filha. Desde então, a obra tem crescido todos os anos, com novas peças e um critério cada vez mais seletivo. “Vai crescendo todos os anos, com bonecos novos. Agora já sou mais seletivo”, referiu.

Há quatro anos que o presépio deixou de estar apenas em contexto doméstico e passou a ser exposto ao público, fruto de uma parceria com a Junta de Freguesia. Uma decisão que, segundo o presidente da Junta de Freguesia de Albergaria-a-Velha e Valmaior, Rúben Coelho, se revelou plenamente acertada. “Tivemos um grande número de visitantes. Ainda ontem, no encerramento, esteve a casa cheia”, afirmou o autarca.

Ao longo do período de exposição, o presépio foi acompanhado por um vasto programa de animação cultural, envolvendo grupos da freguesia e da região. “É isso mesmo que nós pretendemos: que seja visitado pelas famílias, que ao fim de semana possam cá vir”, sublinhou Rúben Coelho, destacando também a realização de visitas escolares por marcação, acompanhadas pelo próprio autor. “Enquanto o presépio estiver montado, as visitas escolares podem ser feitas durante a semana, com visita guiada e explicação mais profunda”, acrescentou.

Para o presidente da Junta, esta exposição representa também um reconhecimento do trabalho, dedicação e investimento pessoal do autor. “Não é um autor qualquer, são muitas horas, muita dedicação e também algum investimento. E disponibiliza-se para montar o presépio num espaço público, para que a comunidade possa usufruir daquilo que de bom existe em Albergaria”, frisou.

Apesar de o presépio já se encontrar encerrado ao público em geral, a Junta de Freguesia mantém abertas as portas a visitas organizadas, mediante marcação prévia, até à sua desmontagem. E o futuro está já garantido. “Ele já está convidado para fazer o presépio em 2026 e, se for maior, naturalmente estaremos cá para colaborar”, garantiu Rúben Coelho.

Um presépio que, ano após ano, cresce em dimensão, significado e impacto, afirmando-se como um verdadeiro património cultural vivo da freguesia e como um dos símbolos mais marcantes do Natal em Albergaria-a-Velha.

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