O Agrupamento de Escuteiros 789 de Fermentelos celebrou, este sábado, o seu 40.º aniversário, numa cerimónia que encheu por completo o salão paroquial de Fermentelos e que reuniu várias gerações ligadas ao escutismo local, entre atuais elementos, antigos escuteiros, dirigentes, famílias e responsáveis autárquicos.
A sessão ficou marcada por um forte sentimento de pertença e de memória coletiva, refletindo quatro décadas de atividade contínua dedicada à formação de crianças e jovens. A chefe do agrupamento, Jéssica Ferreira, destacou o significado simbólico desta data, referindo que os 40 anos representam “uma história de vida”, construída com base na transmissão de valores, no exemplo pessoal e no empenho diário de dirigentes e escuteiros. Sublinhou ainda que o escutismo é vivido como um verdadeiro modo de vida, orientado para a formação integral da pessoa e para a construção de uma sociedade melhor, em linha com os princípios deixados por Baden-Powell.
Numa reflexão sobre os desafios atuais, Jéssica Ferreira realçou a importância do escutismo como resposta à crescente dependência das tecnologias, salientando o contacto com a natureza, o serviço ao próximo e a promoção de atividades ao ar livre. Segundo a responsável, o movimento proporciona espaços de convivência, partilha e criação de memórias, permitindo aos jovens desenvolver relações humanas sólidas e experiências significativas fora do contexto digital.
O vereador da Câmara Municipal de Águeda, Carlos Filipe, sublinhou a relevância do movimento associativo no concelho e o papel específico do escutismo na formação das camadas mais jovens. Destacou a forte adesão verificada na celebração como sinal da vitalidade do agrupamento e do impacto positivo que tem na comunidade. O autarca reforçou ainda que o município acompanha e apoia as associações locais, reconhecendo as dificuldades associadas à sua gestão e manutenção, mas também o seu valor enquanto espaços de educação não formal e de cidadania ativa.
Por sua vez, o secretário do agrupamento, Adriano Almeida, fez um balanço histórico do percurso do agrupamento, evocando décadas marcadas por acampamentos, encontros, atividades e aventuras que deixaram marca em todos os que por ali passaram. Sublinhou que quem vive o escutismo, seja como lobito, explorador, pioneiro, caminheiro ou dirigente, transporta essa experiência para o resto da vida. Destacou igualmente a ligação estrutural do escutismo católico à Igreja, frisando que os valores cristãos estão presentes de forma transversal na prática diária do agrupamento, num modelo de educação informal que complementa a formação pessoal e social.
A cerimónia contou também com a intervenção do presidente da Junta de Freguesia de Fermentelos, Carlos Lemos, que recordou o facto de ter sido um dos primeiros escuteiros do agrupamento, aquando da sua fundação. O autarca partilhou memórias pessoais e destacou a influência duradoura dos ensinamentos do escutismo na sua vida, sublinhando que os valores adquiridos ao longo desses anos continuam a refletir-se nas decisões e na forma de estar no quotidiano. Reconheceu ainda que os tempos mudaram e que os desafios educativos atuais são diferentes, defendendo a necessidade de adaptação dos métodos, sem perda da essência do escutismo.
O presidente da Junta deixou uma mensagem de confiança e apoio a todos quantos integram e gerem o agrupamento, considerando o escutismo uma escola de cidadania, responsabilidade cívica, consciência ambiental e vivência religiosa, com impacto direto na comunidade local.

















A celebração dos 40 anos do Agrupamento de Escuteiros 789 de Fermentelos constituiu, assim, um momento de reconhecimento do percurso realizado e de reafirmação do papel do escutismo enquanto espaço privilegiado de formação humana, que continua a marcar gerações e a projetar-se no futuro da freguesia e do concelho de Águeda.

