Águeda assinalou ontem os 40 anos dos incêndios de 1986 com um conjunto de cerimónias evocativas marcadas pela emoção, pelo silêncio e por apelos à responsabilidade coletiva na prevenção de incêndios rurais.
As iniciativas, promovidas pelo Município de Águeda e pelos Bombeiros Voluntários de Águeda, contaram com a presença do Ministro da Administração Interna, Luís Neves, e reuniram autarcas, bombeiros e comunidade num dia dedicado à memória das vítimas da tragédia.
O programa teve início com a visita à exposição “A Última Floresta”, no Largo Dr. António Breda, que procura sensibilizar para o impacto dos incêndios florestais e para a importância da mudança de comportamentos. Seguiu-se a deposição de uma coroa de flores no quartel dos bombeiros, num momento simbólico de homenagem.
Na Castanheira do Vouga, local central das cerimónias, realizou-se uma formatura de várias corporações de bombeiros, culminando num dos momentos mais marcantes do dia: a evocação nominal das vítimas dos incêndios de 1986, assinalada com o tradicional “presente” em sua memória.
O Presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, destacou a profundidade da marca deixada pela tragédia, sublinhando que o dia 14 de junho de 1986 continua a ser um marco determinante na história do concelho. Defendeu que a prevenção de incêndios é uma responsabilidade coletiva, apelando à mudança de comportamentos e à intervenção ativa de cada cidadão na proteção do território.
O autarca alertou ainda para a necessidade de gestão da floresta e ordenamento do território, defendendo uma estratégia assente na proteção das populações, no reforço dos meios e na valorização económica da floresta, sublinhando que os resultados exigem continuidade e tempo.
Também o Ministro da Administração Interna reforçou a importância da memória como instrumento de aprendizagem, sublinhando que “recordar não basta” e que é essencial retirar lições dos acontecimentos do passado para melhorar a resposta futura.
A cerimónia incluiu ainda intervenções de representantes dos bombeiros e da proteção civil, que destacaram o espírito de missão, o sacrifício e a união entre comunidades durante a tragédia. A Liga dos Bombeiros Portugueses atribuiu ainda distinções de reconhecimento às corporações de Águeda e Anadia, em homenagem ao seu percurso e ao heroísmo demonstrado.




