O chefe do Serviço de Finanças da Mealhada está entre os cinco detidos pela Polícia Judiciária (PJ) no âmbito da operação “Neblina Atlântica”, que investiga uma alegada rede de auxílio à imigração ilegal. O responsável reside no concelho de Oliveira do Bairro.
A operação, conduzida pela Diretoria do Centro da PJ, resultou ainda na constituição de 15 arguidos e visa desmantelar um grupo suspeito de ter promovido a regularização de milhares de cidadãos estrangeiros, maioritariamente oriundos do Brasil.
Em conferência de imprensa, o diretor da Diretoria do Centro da PJ, Avelino Lima, explicou que entre os detidos se encontram um chefe de finanças, uma contabilista, uma empresária em nome individual e um empresário do setor da silvicultura.
Segundo a Polícia Judiciária, o grupo apresentava-se aos migrantes como um prestador de serviços a operar legalmente, cobrando inicialmente 200 euros por cada processo de regularização. Posteriormente, eram cobrados outros valores para tratar de diferentes procedimentos, como a obtenção do Número de Identificação Fiscal (NIF), o registo de contratos de trabalho em empresas — algumas reais e outras alegadamente fictícias — ou a inscrição como trabalhadores independentes através da emissão de recibos verdes.
De acordo com a investigação, apenas uma das empresas envolvidas terá emitido recibos no valor de cerca de 1,5 milhões de euros.
Avelino Lima referiu ainda que a “grande maioria” dos cidadãos estrangeiros que recorreram a estes serviços não se encontra atualmente em Portugal, residindo sobretudo na Bélgica, França e Suíça.
A Polícia Judiciária estima que possam estar envolvidos perto de 10 mil cidadãos estrangeiros, embora o número ainda esteja a ser apurado, uma vez que a investigação incide sobre processos iniciados em 2022. Segundo o responsável da PJ, uma das pessoas detidas era representante de mais de 3.500 imigrantes.
As autoridades admitem que os proveitos obtidos pelo alegado esquema possam ascender a milhões de euros.
Além do crime de auxílio à imigração ilegal, a investigação poderá abranger suspeitas da prática de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal.
Durante a operação foram realizadas cerca de duas dezenas de buscas, que culminaram na apreensão de documentação, equipamento informático, três armas de fogo e cerca de 50 mil euros em numerário.
Os detidos serão agora presentes à autoridade judiciária competente para primeiro interrogatório e aplicação das respetivas medidas de coação.

