Feira Social de Águeda reforça importância do trabalho em rede e da inovação no setor social

“Num passado renovado, projeta-se o futuro!” foi o mote da Feira Social de Águeda, uma iniciativa que reuniu profissionais, instituições, especialistas e entidades do setor social para refletir sobre os desafios atuais e encontrar novas respostas para uma sociedade em permanente transformação.

Promovida pelo Município de Águeda, no âmbito do CLDS 5G Águeda, a iniciativa decorreu na terça-feira, no Centro de Artes de Águeda, proporcionando um dia dedicado à reflexão, à partilha de experiências, à formação e à criação de novas ligações entre os diferentes agentes que intervêm na área social.

Na abertura do evento, o Presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, lançou um desafio aos profissionais presentes: “O que é que do meu trabalho resulta para bem dos outros?”. O autarca defendeu que a intervenção social deve ser feita com proximidade e contacto direto com as pessoas, apelando aos profissionais para que saiam dos gabinetes e estejam mais próximos das comunidades.

“Fujam o mais possível dos gabinetes”, afirmou Jorge Almeida, sublinhando que é através da presença no território e do contacto com as pessoas que melhor se compreendem as suas necessidades. “Ninguém cuida à distância”, acrescentou, defendendo uma intervenção assente na proximidade, na disponibilidade e na dimensão humana.

O Presidente da Câmara destacou também a importância do trabalho em rede, considerando que nenhuma organização pode responder isoladamente aos desafios sociais. “Sozinho, isoladamente, ninguém vale nada”, afirmou, apontando a Feira Social como um espaço privilegiado para a partilha de conhecimentos, experiências e boas práticas entre as entidades que trabalham diariamente no território.

A importância da articulação entre instituições foi igualmente salientada por José Licínio Pimenta, Diretor do Centro Distrital de Aveiro, que destacou o trabalho desenvolvido pelo Município de Águeda na área social. Para o responsável, preparar o futuro implica valorizar o conhecimento e a experiência adquiridos, mas também ter capacidade para adaptar as respostas às novas necessidades da população.

“As respostas sociais não podem ser estáticas porque a sociedade também não é estática”, afirmou José Licínio Pimenta, defendendo que a transformação pode passar pela criação de novas respostas, mas também pela qualificação das já existentes, através de novos processos e metodologias, da valorização dos profissionais e da escuta das pessoas que utilizam os serviços.

Também Marlene Gaio, Vereadora da Ação Social da Câmara Municipal de Águeda, destacou a necessidade de adaptar a intervenção social às novas formas de vulnerabilidade. Segundo a autarca, a inovação nem sempre implica criar novas respostas, podendo significar uma nova forma de olhar para os recursos e soluções que já existem.

“Muitas vezes a inovação não passa por criar coisas novas, passa por olhar de forma diferente para aquilo que já existe”, afirmou, reforçando a importância de uma intervenção centrada nas pessoas e construída “de pessoas para pessoas”.

A vereadora recordou ainda que a iniciativa decorreu no âmbito do CLDS 5G, projeto cuja coordenação foi assumida diretamente pelo Município de Águeda, responsável pelo Eixo 4 da intervenção social. Ao longo do período de execução, serão desenvolvidas diversas ações destinadas a reforçar a intervenção junto das comunidades e das populações mais vulneráveis.

“O nosso objetivo último é que as políticas públicas e as decisões públicas possam ir ao encontro daquelas que são as expectativas e as necessidades das nossas populações, sobretudo das mais vulneráveis”, salientou Marlene Gaio.

Ao longo do dia, a Feira Social apresentou um programa diversificado, com conferências, workshops, momentos de partilha de experiências e apresentação de projetos de inovação social. Entre os temas abordados estiveram a importância da felicidade e do bem-estar nas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), as exigências nos estabelecimentos de apoio social, a gestão de casos em contextos de elevada vulnerabilidade, a aplicação da metodologia Montessori na terceira idade e o conceito de Forest School.

A programação incluiu ainda a apresentação de projetos e experiências centrados na pessoa e na transformação das práticas de intervenção social. A mostra de entidades e projetos sociais permitiu aos participantes conhecer as respostas existentes no território, promover contactos e reforçar o trabalho em rede.

O programa contou também com experiências como o Simulador de Envelhecimento, a Terapia Assistida por Animais e a Bicicleta do Sorriso, proporcionando aos participantes diferentes perspetivas e ferramentas aplicáveis à intervenção social.

Com esta iniciativa, a Feira Social de Águeda procurou reforçar a importância da proximidade, da cooperação e da inovação, colocando as pessoas no centro da intervenção e incentivando as instituições e profissionais do setor social a trabalhar em conjunto na construção de respostas mais adequadas aos desafios do presente e do futuro.

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