Governo aponta caminho para a continuidadedo projeto “Valoriza-te” em Vale de Cambra

O secretário de Estado da Gestão da Saúde indicou esta terça-feira que o projeto “Valoriza- te”, desenvolvido em Vale de Cambra, poderá candidatar-se à Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental e manifestou disponibilidade para acompanhar o processo. O Governo reconheceu a importância do projeto e apontou, assim, um caminho concreto para assegurar a continuidade e sustentabilidade desta resposta comunitária de apoio a pessoas com experiência de doença mental.


A posição foi transmitida por Francisco Catalão em resposta à deputada do PSD Adriana Rodrigues, durante a audição da ministra da Saúde. Na sua intervenção, a deputada eleita pelo círculo de Aveiro alertou para o risco de desaparecimento de projetos sociais financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, apesar dos resultados alcançados e da capacidade instalada nos territórios. “O encerramento dos apoios não pode significar o desmantelamento de respostas locais que funcionam” – afirmou, a propósito.


Desenvolvido em Vale de Cambra, através de uma parceria entre o Município e a Cruz Vermelha Portuguesa, o “Valoriza-te” promove a autonomia, a reabilitação psicossocial e a integração socioprofissional de pessoas com experiência de doença mental. Desde 2023, o projeto acompanhou diretamente cerca de 75 beneficiários, tendo contribuído para a integração de 12 no mercado de trabalho e para a participação de outras 14 em experiências ocupacionais de integração social, através de formação, estágios ou emprego apoiado.


Adriana Rodrigues tinha colocado a possibilidade de esta resposta vir a ser integrada na estratégia de saúde mental da ULS Entre Douro e Vouga, funcionando como um polo comunitário em Vale de Cambra, e questionado também sobre a sua eventual evolução para uma Unidade Socio-Ocupacional.

Na resposta, Francisco Catalão reconheceu “o valor das respostas comunitárias” e a importância de aproveitar a capacidade já instalada no território, apontando como via concreta a possibilidade de a entidade promotora se candidatar à constituição de uma Unidade Socio-Ocupacional, no âmbito da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental.


Segundo o governante, esta solução permitirá enquadrar de forma permanente as respostas de reabilitação psicossocial, promoção da autonomia e inclusão que o projeto já assegura.


Francisco Catalão garantiu ainda que a Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental está disponível para acompanhar e mediar este processo, em articulação com as entidades competentes, apoiando a identificação do enquadramento adequado e a concretização da solução.


Para Adriana Rodrigues, a resposta do Governo “abre uma perspetiva concreta para preservar o trabalho desenvolvido, a equipa especializada, a rede de parceiros e, acima de tudo, o acompanhamento prestado aos beneficiários”.

A deputada aveirense defende que “agora é necessário transformar esta disponibilidade num processo efetivo, envolvendo as entidades locais, a ULS Entre Douro e Vouga e a Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental, para que Vale de Cambra não perca uma resposta que tem demonstrado resultados e cuja importância é reconhecida pelo próprio Governo”.

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