Morte de vereadora de Vagos: justiça tenta perceber o que leva uma criança a matar a mãe

A morte violenta da vereadora da Câmara Municipal de Vagos, Susana Gravato, de 49 anos, continua a abalar a comunidade da Gafanha da Vagueira. O principal suspeito do homicídio é o próprio filho, um adolescente de 14 anos, que se encontra internado num centro educativo, enquanto a justiça procura compreender as circunstâncias que conduziram ao crime.

O homicídio ocorreu a 21 de outubro, na residência da família. De acordo com a investigação, Susana Gravato encontrava-se ao telefone com uma amiga quando foi atingida por dois disparos efetuados pelas costas, com uma arma pertencente ao marido. O jovem terá aberto o cofre da família, retirado dinheiro e a arma de fogo antes de cometer o crime.

Após os disparos, o corpo da vítima foi colocado no sofá e coberto com uma manta. O menor terá contactado um amigo, com quem alegadamente planeava fugir, manifestando intenção de se suicidar. O colega deslocou-se à residência e, posteriormente, ambos esconderam a arma do crime no cemitério local, numa campa de familiares. As câmaras de videovigilância da habitação tinham sido previamente tapadas.

O alerta às autoridades foi dado por volta das 15h00. Os bombeiros e a Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Aveiro estiveram no local, mas o óbito foi declarado no domicílio. A Polícia Judiciária afastou a hipótese de simulação de assalto e deteve o adolescente, que acabou por confessar o crime.

Susana Gravato era licenciada em Direito e exerceu advocacia até 2017, ano em que iniciou o seu percurso na vida autárquica. Era descrita pela comunidade como uma pessoa dedicada, próxima e solidária. A família, considerada estável e respeitada, não apresentava sinais conhecidos de conflito, sendo o jovem descrito como tranquilo e sem antecedentes comportamentais.

Do ponto de vista legal, o menor é inimputável, por ter menos de 16 anos. O Tribunal de Família e Menores de Aveiro decretou o internamento cautelar em regime fechado no Centro Educativo de Santo António, no Porto, com acompanhamento psicológico permanente. O objetivo das medidas é a reeducação e a compreensão da gravidade do ato.

O Ministério Público recusou o pedido de cremação do corpo, solicitado pela família, por considerar necessárias eventuais perícias adicionais. O caso permanece em investigação, enquanto a comunidade de Vagos tenta recuperar de um crime que deixou marcas profundas.

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