Padre Rafael Oliveira prepara-se para assumir quatro paróquias no concelho de Oliveira do Bairro

O padre Rafael Oliveira, de 27 anos, prepara-se para assumir uma nova missão pastoral nas paróquias de Oliveira do Bairro, Palhaça, Bustos e Mamarrosa, iniciando uma nova etapa do seu percurso sacerdotal no concelho de Oliveira do Bairro.

Natural da Gafanha de Aquém, Rafael Oliveira chega às quatro comunidades depois de dois anos de serviço nas paróquias da Branca e de Ribeira de Fráguas, no arciprestado de Albergaria-a-Velha, onde afirma ter criado fortes relações com as populações.

Segundo refere a Aveiro Mag, o jovem sacerdote encara esta nova missão com entusiasmo, mas também com a responsabilidade inerente a acompanhar quatro comunidades com identidades e dinâmicas próprias.

A proximidade com as pessoas será uma das prioridades. Rafael Oliveira assume que não pretende chegar às novas paróquias com uma lógica de rutura ou de “nova gerência”, defendendo antes o respeito pelo trabalho que já foi realizado e pelas pessoas que, ao longo dos anos, têm assegurado a vida das diferentes comunidades.

“Não quero passar por cima do muito que já está semeado”, afirmou à Aveiro Mag, deixando clara a intenção de primeiro conhecer a realidade que vai encontrar em Oliveira do Bairro, Palhaça, Bustos e Mamarrosa.

A missão representa também um dos desafios que atualmente se colocam à Igreja Católica. A diminuição do número de vocações tem levado os sacerdotes a assumirem responsabilidades em várias paróquias, obrigando a encontrar novas formas de organização e de proximidade com os fiéis.

Rafael Oliveira considera que esta realidade deve ser acompanhada por uma maior participação dos leigos. Na sua perspetiva, a Igreja não pode continuar excessivamente centrada na figura do padre, sendo necessário criar redes de trabalho e envolver mais pessoas na vida das comunidades.

“A Igreja não é só o padre”, sustenta o sacerdote, defendendo uma Igreja mais corresponsável, onde os leigos tenham uma participação efetiva e assumam responsabilidades enquanto membros das próprias comunidades.

Outro dos desafios que Rafael Oliveira identifica está na capacidade de chegar às gerações mais jovens. Para o sacerdote, a Igreja precisa de acompanhar as mudanças na forma como os jovens comunicam e estar presente também nos espaços digitais onde passam uma parte significativa do seu tempo.

Instagram, TikTok e outras plataformas são, na sua perspetiva, espaços que não podem ser ignorados.

“Temos o melhor produto do mundo, mas não o sabemos vender”, afirmou Rafael Oliveira à Aveiro Mag. A expressão traduz a sua convicção de que não é necessário alterar a mensagem cristã, mas encontrar novas formas de a comunicar.

Apesar da importância das redes sociais, o jovem padre considera que a Igreja continua a ter algo diferente para oferecer às novas gerações: contacto humano, comunidade, silêncio e experiências vividas em conjunto. Peregrinações, acampamentos, atividades sem telemóveis ou simples momentos de encontro são apontados como formas de proporcionar aos jovens experiências que o mundo exclusivamente digital não consegue substituir.

A chegada às quatro paróquias acontece depois de uma experiência que Rafael Oliveira considera marcante na Branca e em Ribeira de Fráguas. Apesar de ter permanecido apenas dois anos nessas comunidades, garante ter criado fortes raízes.

“Sinto que sou de lá. Estive lá dois anos e sinto que estive lá a minha vida toda”, confessou. Para o sacerdote, a dificuldade da despedida é também consequência natural da proximidade criada durante a missão.

É precisamente essa forma de exercer o sacerdócio que pretende agora transportar para Oliveira do Bairro, Palhaça, Bustos e Mamarrosa.

Rafael Oliveira reconhece que acompanhar quatro comunidades será exigente e admite algum receio de não conseguir responder a todas as necessidades. Ainda assim, encara a mudança como uma oportunidade para conhecer novas pessoas, compreender diferentes realidades e lançar novos desafios.

A orientação que pretende seguir ficou sintetizada numa mensagem que recebeu recentemente na sua terra natal. Durante a celebração realizada a 9 de agosto, na Gafanha de Aquém, por ocasião da sua ordenação como primeiro padre natural daquela comunidade, ouviu um pedido que agora leva consigo: “Não te pedimos que sejas um padre perfeito, mas um padre próximo”.

Uma proximidade que, para Rafael Oliveira, implica também que seja o próprio sacerdote a procurar as pessoas e a participar na vida quotidiana das comunidades, em vez de ficar à espera que sejam estas a procurá-lo.

“Não posso estar à espera de que venham ter comigo. Tenho de ser eu a ir ao encontro”, defende.

Às populações de Oliveira do Bairro, Palhaça, Bustos e Mamarrosa, Rafael Oliveira deixa já uma mensagem que resume a forma como pretende iniciar esta nova etapa: “Contem comigo e eu também quero contar com elas”.

Foto: Afonso Ré Lau (AveiroMag)

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