Vista Alegre aumenta lucros em 18,9% e prepara investimento de 40 milhões em nova unidade industrial

Grupo fechou o primeiro semestre de 2026 com 4,3 milhões de euros de resultado líquido e 71,3 milhões de volume de negócios. EBITDA subiu 6,8%, dívida líquida recuou 6,4 milhões e a empresa destaca novos projetos com marcas como Cartier, Bialetti, Dior e IKEA.

O Grupo Vista Alegre encerrou o primeiro semestre de 2026 com uma melhoria significativa da rentabilidade, alcançando um resultado líquido consolidado de 4,3 milhões de euros, mais 18,9% do que no mesmo período do ano passado.

O crescimento dos lucros foi bastante superior ao registado nas vendas. Entre janeiro e junho, o volume de negócios consolidado atingiu 71,3 milhões de euros, representando um aumento homólogo de 1,6%. Já o EBITDA chegou aos 15,9 milhões de euros, crescendo 6,8%, enquanto a respetiva margem passou de 21,2% para 22,3%.

Os resultados foram alcançados apesar de um contexto que a empresa considera exigente, particularmente devido ao aumento significativo do custo do gás, pressionado pelo conflito no Médio Oriente e com impacto na atividade industrial.

O resultado operacional atingiu 8,4 milhões de euros, mais 6,6% em termos homólogos, enquanto o resultado antes de impostos avançou 20,7%, para 5,6 milhões. O resultado líquido passou dos 3,6 milhões registados nos primeiros seis meses de 2025 para os atuais 4,3 milhões de euros.

Três das quatro áreas de negócio cresceram

O desempenho positivo foi transversal à maioria dos principais segmentos de atividade da Vista Alegre.

A Faiança apresentou o crescimento mais expressivo, de 8,1%, passando de 9,2 para 9,9 milhões de euros. O Grés, que representa a maior parcela das vendas entre os segmentos apresentados, avançou 3,5%, de 32,3 para 33,4 milhões.

A área de Porcelana e Complementares cresceu 0,7%, atingindo 22,5 milhões de euros.

Em sentido contrário esteve o Cristal e Vidro, cujas vendas recuaram 14,1%, de 6,4 para 5,5 milhões de euros. A Vista Alegre relaciona esta quebra com a contração do mercado internacional das bebidas premium e espera que novos projetos com clientes internacionais possam contribuir para uma evolução mais favorável deste segmento nos próximos períodos.

Cartier, Bialetti, Dior e IKEA entre os projetos internacionais

A internacionalização continua a ocupar um lugar central na estratégia do grupo. Durante o primeiro semestre arrancaram projetos para a Bialetti e Cartier, estando também em desenvolvimento novas oportunidades relacionadas com marcas e clientes internacionais como Dior, Martell e Bellagio.

A empresa destaca igualmente a robustez da carteira de encomendas nos segmentos de Faiança e Grés e o reforço da parceria com a IKEA.

No universo das marcas do grupo, a Bordallo Pinheiro registou uma dinâmica comercial particularmente forte. Em março alcançou um recorde histórico mensal de vendas, que incluiu a maior transação de sempre da marca na Turquia.

A Vista Alegre refere ainda ter sido distinguida pela OnStrategy como a marca com melhor reputação no segmento do luxo em Portugal.

Novo investimento de 40 milhões com vendas contratadas superiores a 400 milhões

Um dos elementos de maior dimensão apresentados nos resultados é o projeto industrial Ria III S.

A Vista Alegre está a implementar um investimento de aproximadamente 40 milhões de euros numa nova unidade industrial, destinado a reforçar a capacidade produtiva, a produtividade e a eficiência.

Segundo o grupo, o projeto está associado a uma carteira de vendas contratadas superior a 400 milhões de euros até 2034, assumindo-se como um dos principais vetores da estratégia de crescimento para os próximos anos.

Paralelamente ao investimento industrial, a empresa prosseguiu a aposta na inovação e no design, com o lançamento de novas coleções Vista Alegre e Bordallo Pinheiro e novas colaborações com artistas, designers e instituições.

Dívida líquida reduzida em 6,4 milhões

Os primeiros seis meses do ano ficaram igualmente marcados por uma redução do endividamento.

A 30 de junho, a dívida líquida consolidada, após os incentivos considerados pela empresa, situava-se nos 60,1 milhões de euros, menos 6,4 milhões relativamente ao final de dezembro de 2025.

Em resultado da redução da dívida e do crescimento do EBITDA, o rácio dívida líquida/EBITDA passou de 2,4 vezes no final de 2025 para 2,1 vezes em junho de 2026, reforçando, segundo o grupo, a sua flexibilidade financeira.

Para Fernando Daniel Nunes, CEO do Grupo Vista Alegre, os números demonstram uma empresa mais rentável, financeiramente mais sólida e com uma presença internacional crescente. A estratégia permanece centrada na valorização das marcas e do posicionamento premium, na expansão internacional e na disciplina operacional e financeira.

Com vendas em crescimento, uma subida de 18,9% dos lucros, redução da dívida, novos projetos com grandes marcas internacionais e um investimento industrial de cerca de 40 milhões de euros em curso, a Vista Alegre entra na segunda metade de 2026 apostada em reforçar a internacionalização e aumentar o peso das atividades de maior valor acrescentado.

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